Wednesday, August 5, 2015

Sentido da Vida

“As fábricas retiraram milhões de chineses dos campos,
os robots estão a entrar nas fábricas
e os operários não querem voltar a ser agricultores.”

João Vale de Almeida, Diplomata




A robotização das fábricas tem sido observada com grande reserva por uma parte significativa da população mundial.
O filme “Os tempos modernos” de Charlie Chaplin não é compreendido por todos.

A história do mundo não se faz com recordistas de linhas de montagem. São tarefas banais e repetitivas, que algum equipamento terá a capacidade de executar.
Complexas são as atividades que exigem cultura, sensibilidade e consciência.
Valores que uma máquina não saberá interpretar, e que diferenciam cada um de nós, consequência dos nossos percursos e contextos.

A robotização é um aliado do Ser Humano, porque o liberta de tarefas manuais. Conduz a Humanidade para as tarefas intelectuais, sua vocação.

Na Europa, este processo decorre há várias décadas, e os elevados níveis de desemprego espalham algum receio na sociedade.
Estamos a falhar no essencial: é legítimo e natural, que geração dos nossos filhos venha a trabalhar quatro horas por dia. E que essas horas sejam tempo de criação, em oposição a tarefas burocráticas ou repetitivas, mas sempre mal pagas.

O poder de compra descerá em contraciclo com o poder da mente.

As fábricas que outrora poluíram rios, estarão no futuro a fazer o processo inverso: a recolher resíduos nesses rios e a produzir capas para iPhones com esses detritos, num modelo conhecido por upcycling.
Esses rios regressarão à sua função: espaço de lazer para o reino animal, incluindo o Seres Humanos, que deixaram de os frequentar por “falta de tempo”.

Pelo exposto, sou um defensor da robotização das indústrias. Estejam os robots ao serviço da pigmentação de carroçarias ou a filtrar mensagens de spam nas nossas caixas de correio.
Acredito que a Europa, antes da China, saberá trilhar este caminho, recentrando a Humanidade no Sentido da Vida.

Saturday, January 24, 2015

Medição de Impacto das Organizações Sociais

O envelhecimento demográfico, o aumento do desemprego e dos problemas sociais, exigem a melhoria das respostas por parte das organizações sociais.

O numero de beneficiários e o impacto qualitativo dessas acções necessita de ser mensurado, para que o financiamento possa ser canalizado para as organizações que cumprem os objectivos a que se propõem.

Exige-se por isso, que cada organização social, seja ela uma associação, um município ou uma empresa comercial com vocação social, saiba definir os indicadores de impacto da sua actividade, e com isso, aplicar os resultados.
Esses dados ajudarão a compreender a forma para a melhoria de impacto e eliminação de desperdícios.

O MIES - Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social, uma iniciativa do Instituto de Empreendedorismo Social e do Instituto Padre António Vieira, veio implementar uma metodologia de analise e validação de impacto para as organizações sociais.
Esta metodologia contou com o conhecimento da academia do INSEAD e com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, da Fundação EDP, entre outros.

Após análise de 4205 entidades, apenas 134 receberam a Certificação ES+.
Apesar de não existir uma resposta taxativa por parte dos coordenadores do MIES, o facto de 90% das organizações não passarem à fase de estudo, que se limitou a 444 iniciativas, revela que as mesmas não dispoêm de métricas de avaliação de impacto, uma realidade particularmente grave quando sabemos que recorrem na maioria a capitais públicos para o financiamento das suas actividades.