Tuesday, October 23, 2012

Unidade de Missão Local

"Quando o Lehmans Brothers  faliu, era dono de um banco no Norte da Alemanha, que detinha uma sociedade financeira na Baviera que tinha comprado uma correctora em Turim que controlava uma sociedade francesa, que adquiriu o capital de uma sociedade madrilena que comprou uma fábrica de texteis em Vila do Conde, ...e o meu cunhado foi despedido na semana passada.

É injusto porque ele fazia muito bem os casacos.
Solução: Comprar o Lehmans Brothers!"
José Pedro Cobra, TEDxCascais


Este trecho humorístico de José Pedro Cobra revela a capacidade dos portugueses de complicarem o problema até ao momento em que a solução se torna impossível.

São conhecidas em Portugal as áreas que atravessam as maiores dificuldades: Indústrias de mão de obra intensiva e sector público.

Sabemos que estes sectores vão desafectar mão de obra.
Será confortável para cada um dos leitores que a responsabilidade da solução seja do Governo. Liberta-nos para focarmos no problema.

Não é credível que o AICEP consiga captar 308 novas "fábricas", com a capacidade de empregarem 600.000 trabalhadores.

Isto significa que qualquer solução para o desemprego passará pelos recursos locais: Municipios; Escolas; Empresas

Torna-se por isso urgente que as entidades locais assumam as rédeas da solução.
Em conjunto, estas entidades saberão identificar soluções locais para a melhoria da competitividade económica e social.

Reclamar ao  Governo uma solução, significa estar disponível para ser figurante. E não ator.


Texto de Frederico Lucas com Alexandre Ferraz.

Friday, September 21, 2012

Embraer

Vai ser hoje inaugurada a Fábrica da Embraer em Évora.

Depois do encerramento de várias fábricas na Península de Setúbal - sector naval e automóvel - abre uma fábrica aeronáutica que vai absorver mão de obra qualificada para o desenvolvimento de produtos de elevado valor acrescentado.
Consolida a posição de Portugal neste sector com reconhecimento internacional, consequência do trabalho desenvolvido pela TAP e pelas OGMA.

Este investimento funciona como âncora para a região. Fornecedores desta fábrica instalarão nas imediações as suas pequenas unidades produtivas, escalando o nr de trabalhadores a contratar para este sector.

A fábrica vai exportar a totalidade da sua produção, reforçando o reequilíbrio da balança comercial.

Este projecto não nasceu de "geração espontânea". Começou a ser idealizado nos finais dos anos 90 no Gabinete Proalentejo, liderado na época pelo Prof. Carlos Zorrinho.

Tuesday, August 14, 2012

PIB, Crescimento e Liquidez

Portugal acordou alarmado com a redução do PIB em 3,3%, sobre o trimestre homólogo.

Não é a notícia desejável para qualquer português, ainda menos para os desempregados, que reconhecem nestes dados o "monstro" que perturba a criação de novos postos de trabalho.

Em Junho de 2011, o país mudou de Governo e de estratégia.
Abandona o investimento público em nome dos custos da dívida externa.
Com menos investimento, cai o emprego no sector da construção e sobem os custos sociais.
Outros sectores, também sustentados no Estado, seguem-lhes as pisadas.

Numa economia global, cada região será avaliada pela sua balança comercial, calcanhar de Aquiles das economias mediterrânicas, pontualmente recompensadas através do turismo.

Enquanto a esquerda política reclama maior tributação às grandes fortunas e limites legais para os valores das reformas, a direita procura um Estado mais sustentável. E nesta discussão, define-se 80% das mensagens políticas. Pouco mais acrescentam.

Assim, o crescimento é apenas um indicador cego: só importa crescer se isso representar um ganho na balança comercial. Por isso, importa compreender que a liquidez nasce nos ganhos dessa balança.
Sem isso, a dívida externa não será amortizada.
E Portugal precisa de a liquidar, para recuperar a sua soberania.

Wednesday, August 1, 2012

Novas Comunidades Paralelas

O fenómeno da "economia paralela" é associado aos períodos de crise.
Já as "comunidades paralelas" têm um caracter permanente.

O desempregado que faz uns biscates, pretende complementar o subsídio de desemprego com pequenos extras. Uma ambição legítima, mas economicamente injusta.
O membro de uma seita - religiosa, desportiva ou assumidamente de interesses - procura vantagem para a sua causa em detrimento das restantes: política de terra queimada.

Em Portugal, como na Grécia, cresce o nr. de comunidades paralelas.
São maioritariamente jovens cidadãos que não estão inscritos na Segurança Social, vivem uma economia de subsistência, e o excedente do seu trabalho é aplicado em trocas sem recurso a moeda.

Não existem más intenções nestas novas comunidades. São pessoas que não encontraram outra solução para a sua vida.
Não conseguem emprego, privilégio exclusivo para quem o tem, numa sociedade que substituiu a meritócracia pela antiguidade. E já não esperam pela reforma, pelo que se recusam a financiar a dos outros.
Sentem a necessidade de sair de casa dos seus pais, predominantemente das áreas metropolitanas.

O Estado tem o dever de integrar socialmente os seus cidadãos. Esta desagregação não trará benefícios a ninguém.
Cabe ao poder político a compreensão deste novo fenómeno e identificar instrumentos que evitem esta desagregação social.

Saturday, June 16, 2012

Regiões, Sim!

O novo Mapa Judiciário ameaça fechar dezenas de Tribunais.
Mais uma vez, o povo ameaça sair à rua pela defesa da manutenção destes equipamentos.

Já o tinha feito com as escolas, e depois disso, com os Centros de Saúde.

Convém conhecer o problema, na origem de todos estes males: despovoamento.

Sem pessoas, os serviços públicos tendem a encerrar. É tudo uma questão de tempo.
Não podemos ter aldeias com uma familia, um médico, um professor e um presidente de junta, se todos forem pagos pelos contribuintes.

Pelo lado do Estado, sabemos que as contas públicas não conhecem outra realidade (no periodo democrático) para além do Défice Orçamental, o que provocou um crescimento de 600% da dívida pública em percentagem do PIB, 1975-2010, conforme gráfico.
O crescimento da divida externa líquida entre 1996 e 2009 foi de 1000%, para o qual contribui em grande medida o endividamento com o crédito hipotecário, as PPPs e o sector empresarial do Estado.

A par da necessidade das medidas de repovoamento das áreas despovoadas, só possível com a instalação de empresas geradoras de riqueza e postos de trabalho, importa organizar respostas ao nível regional, sob pena de semearmos regiões-fantasma.

Todas as regiões portuguesas necessitam dos diversos serviços de apoio à população, mas tal não implica a replicação de todas estas infraestruturas pelos 308 concelhos portugueses.

O esforço das empresas portuguesas no reequilíbrio da balança comercial, consequência de políticas continuadas pelos últimos governos, não será suficiente para ultrapassar a actual conjuntura económica.
É urgente que o Estado consiga viver de acordo com as possibilidades da sua economia.

Monday, June 11, 2012

Poderemos viver com menos?


As carteiras dos portugueses têm menos dinheiro. Isso significa que vamos viver pior?

Foram três décadas de défices. O termo "défice" deixou de afectar consciências políticas: tornou-se tão banal como o termo "economia".

A consequência natural é que vamos viver com menos. Ao valor da nossa produção, serão deduzidos os custos de amortização e juros da dívida criada. Parte da produção vai estar ao seu serviço.

As pessoas vão regressar à sua categoria de Seres Humanos, por oposição à era passada de "Teres Humanos"(*).

Viveremos pior em casa arrendada por oposição à casa própria, quando sabemos que essa autonomia permitirá maior mobilidade geográfica?

Qual o tipo de mobilidade para o nosso futuro? Veiculo poluente e individual? Quais as consequências de uma mobilidade ciclável para a nossa saúde e bem estar?

Os portugueses tinham tradição em campismo. As últimas décadas foram marcadas pela apogeu da hotelaria.
O que poderemos esperar do regresso dos portugueses às férias campistas? Menor qualidade de vida?

(*) Zé Pedro Cobra

Sunday, March 4, 2012

A morte do "Fordismo" na Europa: 1913-2012

O dramático crescimento do desemprego traz perspectivas distorcidas sobre o futuro da nossa economia.
Procurar um regresso ao passado é um impulso legitimo, mas despido de razão.

Ninguém deseja o regresso dos pavilhões industriais com centenas de trabalhadores, a executar tarefas repetitivas e despidas de criatividade.

Por isso, o empreendedorismo aparece como a solução para "todos os males": o país precisa de racionalizar recursos, e a oportunidade reside na sua optimização.
A competência para efectuar essa reforma, foi aquela que a sociedade portuguesa mais desvalorizou no periodo democrático.

Esta racionalização, que tornaria o trabalho mais produtivo e permitiria a diminuição da carga laboral por trabalhador, está a provocar outros efeitos perversos, em particular o desemprego.

Cada desempregado saberá aquilo que deseja para si. Mas a oportunidade para desenvolver uma nova actividade profissional, com maior captura de valor, não deverá ser afastada.

Portugal não é um país-produtor a nivel global. Mas pode ser um país-criador!

Monday, January 23, 2012

Coworking na biblioteca!

No passado dia 2 de janeiro abriu o primeiro espaço coworking em território rural, na Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé.
Trata-se de uma iniciativa inédita que pretende responder às novas tendências sociais: acolher os novos povoadores, isto é, empreendedores que transferiram a sua actividade profissional das áreas metropolitanas para o interior rural.

Deste modo, a autarquia pretende responder à necessidade profissional destes novos habitantes, dinamizando em simultaneo o espaço bibliotecário.

A ambição deste projecto é a adição de novas valências - mentoring; sala de ensaios artísticos; fab lab - no intuito de integrar a rede de ideação e experimentação profissional Working Labs.

Recorde-se que este concelho dispoe de um centro de apoio a pessoas com necessidades especiais, Associação Leque, e de um SPA de referência nacional.

Esta iniciativa surge no âmbito da parceria entre o grupo EDP, o município de Alfândega da Fé e o programa de repovoamento rural Novos Povoadores para o apoio à transferência de 5 familias metropolitanas para este concelho.