Friday, October 2, 2009

Running and watching the children

Somos cada vez mais a praticar desporto de manutenção nas cidades que escolhemos para viver.
Ontem, por coincidência, o meu trajecto ligou a escola local ao aglomerado urbano. Ás 17h30m.
Durante o meu jogging passei por centenas de crianças que faziam sozinhas esse caminho.

Ocorreu-me uma iniciativa simples: Reformados (e demais gestores do seu próprio tempo) passarem a incluir no seu trajecto de manutenção o percurso que os seus estudantes do 1º ciclo fazem entre a escola e as zonas urbanas.

Uma forma simples de vigilância preventiva por aqueles que estão a dar os seus primeiros passos na liberdade de movimentos.

A comunidade ficará mais segura.

Tuesday, September 29, 2009

A velha economia do Hardware Territorial

A entrada na UE permitiu a Portugal um conjunto alargado de subsídios estruturais.

Recebemos subsídios para formação, para a modernização da agricultura e para o abate da frota pesqueira.
Sobre estes três eixos não me pronuncio por desconhecer os sectores e os resultados.

Houve outro eixo central de actuação: Infraestruturas de transporte, ao qual dediquei 16 anos de actividade profissional.

Foi uma área que provocou uma nova geografia no território português. Hoje o país está conectado, exceptuando algumas ligações entre os distritos do interior.

Tal configuração permite maior competitividade às empresas, por facilitarem a mobilidade dos seus produtos e dos seus recursos humanos.

Por outro lado, a industria da construção necessitou de agregar diversos sectores de actividade económica, introduzindo nesta considerável liquidez.
Mas isto é o passado.

A concentração dos contratos de empreitada esmagou o espaço de manobra das PMEs. No passado existiam centenas de contratos em simultâneo, hoje são poucas unidades, mas com valores astronomicamente superiores (PPPs).
Isto significa que a maioria das PMEs que operavam tradicionalmente neste sector estão a procurar novos mercados ou reféns de um modelo de negócio sem margens para renovação ou investimento.

Por seu turno, as grandes construtoras consolidam os seus processos de internacionalização. Têm o know-how do caso português e forte capacidade financeira. Nos mercados de destino contratam empresas locais, quando não as integram nos seus consórcios.
Compreende-se que os governos-cliente, coloquem essa contrapartida nos seus concursos em nome da garantia da dinamização económica dos seus territórios.

A motivação deste post é sobre a oportunidade de investimento em infra-estruturas de transporte em nome da dinamização da economia.

O que pode ganhar Portugal com estes investimentos?

A ligação à Europa não é certamente. Lx-Madrid em 3 horas, Lx-Barcelona em 7 e Lx-Paris em 10 (com mudança de linha em Marselha) transforma o TGV num comboio de praia do sul da Europa.

Thursday, August 27, 2009

Alguém sabe a morada do Plano Tecnológico?

Sempre que faço esta pergunta tenho o endereço web como resposta: http://www.planotecnologico.pt
Mas se em vez disso perguntar pelo Ministério da Educação, ninguém deixará de responder “5 de Outubro”!

E a diferença é simples: O Ministério da Educação é anterior à geração WEB. Já existia antes disso.
O Plano Tecnológico já nasceu no “nosso tempo”. Tal como o Nespresso ou como a marca de impressoras Brother cuja sede ninguém imaginará a não ser o seu DNS.

Usei esta forma simples para demonstrar a enorme revolução que estamos a assistir de forma consensual.

E esta revolução marca toda a diferença no contexto territorial.
Hoje as organizações têm um endereço web e os seus colaboradores vivem onde mais lhes interessar.

São centenas de estórias que já escutei de instaladores residenciais de internet que andaram no sul e no norte do nosso país a instalar a internet em casas de grandes “carolas”, isto é, investigadores e empresários que operam virtualmente em Londres, Dubai ou Frankfurt conciliando essa actividade com a residência num país acolhedor e solarengo como é Portugal.
Aqui vivem, aqui educam os seus filhos, aqui pagam impostos, aqui consomem, aqui adquirem as suas casas.
Mas se recebermos destes um cartão de visita, teremos uma morada postal e um telefone do mercado onde operam. E um endereço web que é o “head-office” empresarial!

E porque motivo escolheram estes pioneiros da Economia DNS o nosso país para viver?
Seremos a primeira Aldeia Global? Serão a nossa história, a nossa cultura e a nossa tolerância, os condimentos territoriais de um mundo que caminha para a rede?

Monday, August 24, 2009

Autárquicas: A Via Verde e a Via Vermelha

Estamos neste instante a discutir em Portugal os programas autárquicos.
Julgo consensual pensar que o factor chave desses programas será a capacidade de geração de emprego.

Na problemática do emprego, a arte consiste em encontrar um projecto que permita explorar ao máximo as competências dos trabalhadores para que os próprios e a sociedade absorvam um maior valor acrescentado das suas contribuições.

Mas, apesar de tudo, há duas vias.

No pressuposto de que a politica é a definição estratégica de um rumo que permita aos empreendedores a exploração de oportunidades, entendo como Via Verde as politicas que permitem a exploração das mesmas e a Via Vermelha a criação de postos de trabalho suportadas directa ou indirectamente nos orçamentos públicos, isto é, quando não têm a capacidade de se submeter ao mercado.

Assim, importa compreender quais as dinâmicas actuais e futuras da economia global e local, e desenvolver um modelo de crescimento alicerçado na atractividade de empreendedores para a sua exploração.
E porque a capacidade de arriscar não está distribuída equitativamente por todos, importa garantir que esses projectos de empreendedorismo consigam ainda absorver a mão de obra disponível local.

Recomendação de leitura: Empreendedorismo: O Software Territorial

Friday, August 21, 2009

O dia do caixote!

Um dia que nunca esquecemos!
As causas são as mais variadas: Decidimos por um novo rumo profissional; Redução de pessoal na organização; Fim de estágio; Algo correu menos bem com a nossa prestação!

Mas o dia do caixote é uma das experiências mais enriquecedoras que temos em vida.
Se dúvidas restassem, o olhar macambúzio daqueles que desconhecem esta experiência dissipava-as.

É um momento que define o novo ciclo das nossas vidas profissionais. Deixamos para trás uma marca, uma função, uma filosofia, uma equipa.
Pela frente temos uma incógnita tanto maior quanto a surpresa de tal momento.
A procrastinação ataca os mais novos com o síndrome da falta de experiência e os mais experientes com o síndrome da idade!

Uma boa estratégia faz milagres por nós. Centrar a atenção naquilo que mais gostámos de fazer, nas organizações com as quais nos identificamos, sentir e compreender o nosso espaço no mercado.
A partir daí temos as linhas mestras para desenhar um futuro mais risonho que o passado. Porque as crises escondem sempre uma oportunidade que podemos e devemos aproveitar.

As Redes Sociais ajudam-nos na visibilidade. Mas antes disso devemos pensar na construção da nossa marca pessoal e no respectivo posicionamento no mercado.
Um factor facilitador será a inauguração de uma nova actividade económica de que possamos ser lideres (Câmara, António).

O resto está nos livros: Criatividade; Suor; Determinação; Determinação; Determinação!

Saturday, August 15, 2009

Rede Social de Empreendedores

Esta semana foi marcada por um nr que perturbou a maioria dos portugueses: 500.000 desempregados.

Já escrevi neste espaço sobre a necessidade de reconversão da mão de obra pouco qualificada em actividades com futuro.

Esta crise está apenas a corrigir erros da economia real: A fechar industrias que perderam competitividade e não encontraram vias para a sua redinamização; Empresas que sobreviviam de forma deficiente e que estas marés vivas precipitaram a sua demolição.

As empresas “morrem” mas as pessoas não. E essas pessoas saem destes processos com uma renovada visão daquilo que pode ser o seu projecto profissional.

Mas o inicio de uma actividade de empreendedor pode ser para muitos uma enorme incógnita. Porque entendem que qualquer negócio implica elevadas injecções de capital ou por desconhecerem os seus potenciais mercados.

Para abreviar esses receios e ajudar esses desempregados a reconstruirem o seu projecto propôe-se a criação de uma Rede Social de Empreendedores onde empreendedores, business angels, associações empresariais e demais actores se reunem para dinamizar esses novos projectos.

Achar que esta é uma boa ideia e nada fazer para a alicerçar não é o apoio que estes desempregados precisam! :-)

Sunday, August 2, 2009

Please note my mobile number!

Não sei definir o nr de ocasiões em que apoiei turistas em Portugal a organizar roteiros de visita ou a traduzir ementas gastronómicas. Pessoas que conheço entre restaurantes e estações de combustíveis onde os primeiros minutos de conversa são decisivos para compreender as suas motivações.

Palavra puxa palavra – e em quantidade quando os interlocutores gostam de compreender outras culturas – e revemos nesses turistas os mesmos objectivos que os nossos: Visitar outros países e serem bem recebidos!

Portugal tem um cartaz de excelência: Óptimas condições climatéricas; Segurança; Um povo acolhedor e tolerante; Um território com história e em muitos casos bem preservado.

Causo sempre surpresa quando no final da conversa concretizo um hábito da cordialidade empresarial: Faculto o meu email e nr de tlm.

Este acto tem especial importância para estes turistas que sabem que não espero deles qualquer encomenda, mas que essa informação pode ser-lhes útil numa qualquer situação que ambos desejamos que não aconteça, e num território cuja língua desconhecem.

Quando regressam à sua casa têm algumas vezes a preocupação de me enviar fotos do local cuja visita sugeri e uma mensagem de agradecimento pelo “local support” que disponibilizei. Fico a saber que são juízes, investigadores, jornalistas, para citar alguns exemplos.

Esta é a sugestão que deixo neste período de verão em que o turismo vive uma crise à escala global, e em que pequenas iniciativas colectivas têm impactos superiores a campanhas publicitárias de muitos milhões de euros.

Wednesday, July 22, 2009

Estratégia para tempos de crise

Todos os dias somos confrontados com o encerramento de mais fábricas.
São TRABALHADORES MANUAIS que dificilmente reencontrarão lugar nesta economia do conhecimento.
Também sabemos que para além da grave crise que provoca nas economias das famílias envolvidas, o factor emocional tem um impacto igualmente
pesado: Perdem o convívio com os colegas que durante várias décadas alicerçaram mutuamente.

Por outro lado, AS EMPRESAS E AS ORGANIZAÇÕES NACIONAIS desperdiçam tempo e energia à procura de documentos e processos que “nadam” no meio do oceano que são muitas vezes os seus ARQUIVOS.

Porque não transformar essas equipas de têxteis e calçado que chegam ao fim do seu ciclo de competitividade em operadores de digitalização de documentos para os organismos públicos, num programa ocupacional?
Será que esses trabalhadores não ganharão uma nova e promissora actividade profissional?
Será difícil encontrar arquivistas e documentalistas para coordenarem localmente esses processos?

Será que essas organizações beneficiárias não prestarão com isso um melhor serviço à comunidade optimizando com esta iniciativa os seus recursos humanos?

Tuesday, June 2, 2009

Twitter Vs Máquina de Café

Muitas empresas já descobriram que é na “sala do café” e na “varanda dos fumadores” que se gera boa parte da massa crítica das suas organizações.

São conversas breves onde os “desabafos” sobre as dificuldades profissionais acabam por encontrar solução naquele contacto transversal da organização.

Nada de novo se imaginarmos que no passado os problemas atípicos eram solucionados pelo circuito informal.

Sucede apenas que os tempos mudaram e os desafios carecem cada vez mais de uma solução INTERDISCIPLINAR.

Vem isto a propósito da experiência vivida nas últimas semanas com a rede social TWITTER.
É interessante constatar o enriquecimento informativo que esta plataforma representa, por permitir o tal contacto transversal. Mas, já não é intra organizacional mas antes global!

Saberemos interpretar a revolução que isso representa? Continuaremos a defender a qualquer custo (para os próprios e para o país) da aglomeração demográfica?

Saturday, May 2, 2009

Empreendedorismo: O software territorial

Vou poupar o leitor às estatísticas que demonstram que a distribuição de riqueza depende muito mais do empreendedorismo do que do emprego.
E faz sentido. A economia tem riscos e oportunidades e são os empreendedores que têm a capacidade de os absorver, isto é, de serem actores da economia em que operam.

Este é um ano em que o poder local vai a votos. Na fase do hardware territorial, os mandatos foram avaliados pela capacidade dos autarcas em fazer OBRA: Pavilhões Polidesportivos; Piscinas Olímpicas; Centros Culturais; Autoestradas na sua área de influência.

Este modelo chegou ao fim por estar concluído. Já não falta hardware a este fantástico país.
Hoje precisamos de software que explore este território que construímos: Ideias; Criatividade; Empreendedorismo.
É a recombinação de saberes que promove produtos capazes de entrar no mercado global. E não é difícil enumerar mais de 1000 produtos nacionais – que são concebidos em terras cujos nomes muitos portugueses desconhecem – que têm mercados em raios de muitos milhares de quilómetros.

Dito isto, que julgo consensual, passo à fase das consequências.

Estarão os autarcas portugueses preparados para avaliarem os seus mandatos em função do nr. de empreendedores que foram capazes de gerar nos seus territórios?
Por outras palavras: Estarão os autarcas portugueses capazes de promover software territorial para o hardware que já conquistaram?

Monday, February 9, 2009

A Era da Democratização Territorial

As áreas metropolitanas perderam há muito o seu esplendor. Foram durante décadas o epicentro de talentos de nível nacional onde residiam as oportunidades de participação profissional que gravitavam em redor dos mesmos.

Hoje, a economia do conhecimento traz consigo a democratização territorial. E os territórios rurais, outrora desconectados dessa economia, têm hoje atractivos de relevo para proporcionar o êxodo metropolitano: A qualidade ambiental, social e económica dos territórios rurbanos respondem ao novo estilo de vida dos empreendedores.

A consequência mais interessante do êxodo metropolitano será a polinização de conhecimento protagonizado pelos Novos Povoadores nos territórios de baixa densidade. As redes e a Internet trouxeram consigo a possibilidade de acesso e difusão de informação a nível global, e-learning e trabalho com equipas geograficamente distribuídas (groupware), para citar algumas possibilidades. Facilitarão deste modo a dinamização em seu redor de pequenos alvéolos sociais, com vista a respostas mais actuais à economia que estamos a construir.

O modelo de vida tradicional, onde a população metropolitana adquiria no campo/praia a segunda habitação que lhe permitia respirar, é no actual modelo a sua morada de eleição: Quebraram-se as barreiras geográficas e a falta de competitividade provocada pelos excessivos custos de produção nas áreas metropolitanas – que eram suprimidos por uma procura sucessivamente crescente de uma economia que agora sabemos sobreaquecida – tem hoje uma resposta no território interior conectado.

Por outro lado, os territórios com vontade de atrair Novos Povoadores – gente empreendedora, capaz de gerar dinâmicas de emprego e com vontade de adoptar um estilo de vida mais familiar – são chamados a posicionar-se de uma forma pró-activa, isto é, facilitar a integração dos novos residentes e das suas famílias. Essa tem sido a grande diferença no desenvolvimento dos territórios de baixa densidade. Quando os diversos actores territoriais se mobilizam em torno de um mesmo projecto – Networking Territorial – o sucesso torna-se alcançável. Os Novos Povoadores deixam de o ser, para fazerem parte de uma comunidade que luta para uma maior afirmação territorial, um acto de cidadania activa que os torna actores do desenvolvimento económico e social dessas regiões.

Será esta uma visão utópica?

Segundo um estudo da ONU, em 2015, 69% da população portuguesa viverá nas áreas metropolitanas, acentuado a ausência de qualidade de vida nesses centros populacionais.

Por seu turno, só o Município de Sintra acolhe mensalmente 1000 novas famílias de acordo com os últimos censos do INE.
Estando a sociedade globalizada assente cada vez mais numa economia sem geografia, facto que permite olhar para o território de uma forma mais inclusiva, é possível reduzir o fosso das assimetrias regionais com vantagens para os novos residentes dos territórios de baixa densidade. Assim, além do inegável incremento da qualidade de vida, promover-se-á a quebra de um ciclo de sangria demográfica.

Passar horas a fio no trânsito – que se retiram directamente ao tempo em família – não é uma inevitabilidade para ninguém.

Alexandre Ferraz e Frederico Lucas